brazilwonders:

Vozes perdidas: o que se perde quando uma língua emudece?
A cada duas semanas morre uma língua. Até o início do próximo século, quase metade das cerca de 7 mil línguas faladas na Terra terão se extinguido, com suas comunidades de falantes abandonando os idiomas nativos em favor do inglês, do mandarim e do espanhol.
No Brasil, um país unificado pelo português, linguistas calculam que 180 outras línguas sejam ainda usadas. Mas algumas, como o borun, têm hoje apenas cinco falantes.
Os linguistas avaliam que, até a chegada dos portugueses, eram falados aqui 1.200 idiomas. Em 500 anos, houve uma redução para 180. Ainda assim, o Brasil é o terceiro país do mundo em diversidade linguística. 
O borun é um caso típico para entender o desaparecimento de uma língua no Brasil – hoje, além dele, mais de 20 idiomas correm risco de desaparecer. Começa com o genocídio indígena que remonta à chegada de dom João VI ao Brasil, em 1808. Entre várias medidas para tirar a colônia do atraso, dom João decidiu que as florestas do rio Doce deveriam dar lugar à agricultura. “Limpar” as matas envolvia eliminar os nativos. Ao enfrentar soldados armados, os botocudos foram reduzidos de 15 mil para menos de 200.
Uma segunda forma de dominação foi impedir que o idioma nativo fosse falado. No Brasil colonial, os jesuítas chegaram a criar o nheengatu– uma língua derivada do tupi nativo que tinha até dicionário, impresso por José de Anchieta, em 1595. Forçar os índios a falar o nheengatu era prática de seringalistas e escravocratas na Amazônia. 
No século 20, conforme a política do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), povos como os crenaques foram agrupados próximos a quartéis e proibidos de preservar sua cultura. À medida que os mais velhos morriam, a maioria dos índios se esqueceu do borun. A língua chegou a ser considerada extinta até que, há 20 anos, um processo de retomada cultural reencontrou alguns falantes entre os idosos.

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Vozes perdidas: o que se perde quando uma língua emudece?

A cada duas semanas morre uma língua. Até o início do próximo século, quase metade das cerca de 7 mil línguas faladas na Terra terão se extinguido, com suas comunidades de falantes abandonando os idiomas nativos em favor do inglês, do mandarim e do espanhol.

No Brasil, um país unificado pelo português, linguistas calculam que 180 outras línguas sejam ainda usadas. Mas algumas, como o borun, têm hoje apenas cinco falantes.

Os linguistas avaliam que, até a chegada dos portugueses, eram falados aqui 1.200 idiomas. Em 500 anos, houve uma redução para 180. Ainda assim, o Brasil é o terceiro país do mundo em diversidade linguística. 

O borun é um caso típico para entender o desaparecimento de uma língua no Brasil – hoje, além dele, mais de 20 idiomas correm risco de desaparecer. Começa com o genocídio indígena que remonta à chegada de dom João VI ao Brasil, em 1808. Entre várias medidas para tirar a colônia do atraso, dom João decidiu que as florestas do rio Doce deveriam dar lugar à agricultura. “Limpar” as matas envolvia eliminar os nativos. Ao enfrentar soldados armados, os botocudos foram reduzidos de 15 mil para menos de 200.

Uma segunda forma de dominação foi impedir que o idioma nativo fosse falado. No Brasil colonial, os jesuítas chegaram a criar o nheengatu– uma língua derivada do tupi nativo que tinha até dicionário, impresso por José de Anchieta, em 1595. Forçar os índios a falar o nheengatu era prática de seringalistas e escravocratas na Amazônia. 

No século 20, conforme a política do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), povos como os crenaques foram agrupados próximos a quartéis e proibidos de preservar sua cultura. À medida que os mais velhos morriam, a maioria dos índios se esqueceu do borun. A língua chegou a ser considerada extinta até que, há 20 anos, um processo de retomada cultural reencontrou alguns falantes entre os idosos.